Seguidores

domingo, 8 de março de 2026

Dia das Mulheres - Maria Quitéria, mulher pioneira do Exército brasileiro há 200 anos

 

Maria Quitéria - Redes Sociais

Com cabelo raspado e roupas emprestadas do cunhado, Maria Quitéria se transformou no soldado Medeiros e se alistou no Exército Brasileiro em 1822. Mesmo após ter tido a identidade revelada, a baiana permaneceu na tropa e, por dois séculos, foi a único soldado mulher de que havia registro na história do Brasil.

Maria Quitéria nasceu e cresceu em uma comunidade rural em Feira de Santana, atualmente a segunda maior cidade da Bahia. Com a morte da mãe ainda na infância, ela passou a exercer papéis que não eram associados às mulheres do século XIX, como caçar, pescar e manusear armas.

Com ajuda da irmã, "o soldado Medeiros" - personagem que criou para burlar o impedimento às mulheres na tropa - se alistou no Regimento de Artilharia da Vila de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para lutar contra as tropas portuguesas nas guerras pela independência do Brasil, em 1822.

A baiana se destacou em três batalhas: em Pirajá, na defesa de Ilha da Maré e na de Piatã, todas ambientadas em Salvador. Na batalha de Piatã, Maria Quitéria entrou em uma trincheira, rendeu os soldados portugueses e os levou, sozinha, para o acampamento.

O feito a rendeu uma condecoração e o reconhecimento pelo então imperador Dom Pedro I, que a entregou a insígnia de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro" - uma honraria em reconhecimento ao serviço dos súditos que contribuíram com a nação e demonstrar o alto grau de estima e consideração do monarca.

Mesmo com o reconhecimento dos colegas e com a honraria entregue pelo próprio imperador, Maria Quitéria não passou a compor a corte, nem ganhou um cargo importante. Após a morte do pai, ela se casou, teve uma filha e passou a viver no anonimato em Salvador.

A morte de Maria Quitéria sustenta o paradoxo apontado pelo tenente coronel: aos 61 anos, ela foi enterrada em uma cova rasa, como indigente, em um cemitério que era vizinho à Igreja de Santana, na capital baiana.

Em Salvador, a primeira estátua da heroína só foi inaugurada em 1953, mais de 160 anos depois de sua morte. O reconhecimento pelo Exército aconteceu em 1996, quando ela passou a ser Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro (QCO) - a escola que forma oficiais para o Exército, em Salvador, abriu as portas ao serviço militar feminino a partir de 1992 e essas mulheres foram incorporadas aos quartéis no ano seguinte, 1993.

Além disso, nenhum quartel do país leva o nome de Maria Quitéria - o que é comum entre seus 'pares' homens. No Rio de Janeiro, fortes homenageiam Duque de Caxias e General Osório, por exemplo. Em Salvador, o 19º Batalhão de Caçadores é chamado de Batalhão Pirajá em homenagem à Batalha de Pirajá, episódio marcante na luta pela Independência.

 

domingo, 1 de março de 2026

A Saga do Sertão Livre, a educadora que transformou gerações em Independência – Prof. Ricardo Assis

Professora Ozanira Macedo, uma das maiores educadoras de Independência.

 

No livro A Saga do Sertão Livre, a homenagem à professora Ozanira Macedo transcende a simples narrativa literária e se transforma em um tributo profundo a uma das educadoras mais respeitadas de Independência. Ao retratá-la com imponência, firmeza e dedicação inabalável ao ensino, a obra eterniza a imagem de uma mulher à frente do seu tempo, que enfrentava as distâncias do sertão e as dificuldades da época movida pela convicção de que a educação era o único caminho capaz de romper as correntes da ignorância. Mesmo descrita com rigor e disciplina, a personagem revela, nas entrelinhas, sensibilidade, compromisso social e uma coragem admirável ao levar o saber a todos — crianças, vaqueiros, escravizados e adultos sedentos por aprender a assinar o próprio nome.

A narrativa evidencia que, mais do que ensinar letras e números, Ozanira plantava esperança. Sua presença marcante, sua postura ética e sua crença inabalável no poder transformador do conhecimento refletem o legado das grandes educadoras que moldaram gerações em Independência. Ao homenageá-la, o livro resgata a memória de uma mestra que fez da sala de aula um instrumento de libertação e do ensino uma missão de vida. Trata-se de um reconhecimento justo e necessário àquelas mulheres que, mesmo com rigor e sacrifício, ajudaram a construir a base educacional e moral do nosso município, deixando sementes que florescem até hoje na história e na identidade do nosso povo.

Prof. Ricardo Assis

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Professor Ricardo Assis destaca projeto “Espalhe Respeito” em entrevista à TV Diário e Verdinha FM

Entrevista ao programa Bom dia, Nordeste com Daniella de Lâvor e Tom Barros 

 

Em entrevista realizada na quarta-feira (18) para o programa Bom Dia, Nordeste, apresentado por Daniella de Lâvor e Tom Barros, o professor Ricardo Assis apresentou o projeto “Espalhe Respeito”, desenvolvido nas escolas Abigail Antunes Marques e Escola Profa. Maria Júlia Fialho. A iniciativa também foi destaque em entrevista concedida à TV Diário e à Verdinha FM, ampliando o alcance da proposta e levando à sociedade um debate essencial sobre educação e cidadania.

Durante a participação, o professor ressaltou que o projeto trabalha quatro temáticas fundamentais para a formação ética e cidadã dos alunos: o autismo, o bullying, o racismo e o respeito ao próximo. Segundo ele, a iniciativa surge como uma resposta à necessidade de promover mais informação, empatia e conscientização dentro do ambiente escolar, fortalecendo valores que contribuem diretamente para o desenvolvimento humano e social dos estudantes.

O “Espalhe Respeito” busca incentivar o diálogo, combater preconceitos e construir uma cultura de paz tanto dentro quanto fora da escola. Para o professor Ricardo Assis, é essencial que os alunos compreendam que o respeito ao próximo não é apenas uma obrigação social, mas um valor indispensável para uma convivência harmoniosa.

A proposta reforça a importância de formar cidadãos mais conscientes, capazes de reconhecer e valorizar as diferenças. Ao abordar temas atuais e sensíveis, o projeto contribui para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária, onde o respeito seja praticado diariamente e as diferenças sejam vistas como riqueza, e não como motivo de exclusão.

 


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval de Independência que o Tempo Não Apagou - Prof. Ricardo Assis

Carnaval no R.E.C - Arquivo Pessoal Geraldo Teles

Houve um tempo em Independência em que o Carnaval era mais que uma festa, era um acontecimento esperado o ano inteiro, vivido intensamente por quatro dias que pareciam eternos na memória e breves na passagem do tempo. Nas décadas de 70, 80 e 90, a cidade sabia, de verdade, o que era um bom Carnaval — daqueles que reuniam turmas de amigos, famílias inteiras, blocos animados, fantasias criativas, rei, rainha, confete, serpentina e uma ingenuidade que hoje mora apenas na saudade.

Os salões do R.E.C., as noites festivas na Churrascaria Santana e a animação no Juazeiro, próximo à Igreja Matriz, eram os grandes palcos da alegria. Ali, a juventude se encontrava, os adultos reviviam seus tempos de folia e as crianças se encantavam com o brilho das máscaras e o colorido das fantasias. Havia também os blocos de rua, que arrastavam multidões ao som de marchinhas e muita animação, enchendo as vias da cidade de música e gargalhadas.

Naquele tempo, participar de um bloco era quase um ritual de pertencimento. Muitos confeccionavam a própria fantasia, improvisando com criatividade e dedicação. Não havia luxo, mas sobrava imaginação. Cada detalhe era feito com carinho, cada adereço carregava a alegria simples de quem queria apenas brincar o Carnaval. Era tudo movido pela amizade, pela união e pela felicidade genuína de estar junto.

Nos clubes, as bandas davam o tom da festa. Black Banda, Os Comanches e tantos outros grupos que embalaram gerações faziam o salão vibrar. As guitarras, os metais e a batida contagiante transformavam as noites em espetáculos de dança e celebração. A memória pode falhar nos nomes, mas jamais esquecerá a emoção daqueles momentos.

Muitos independencianos cresceram pulando Carnaval nas ruas e nos clubes da cidade, construindo laços que atravessaram décadas. Foram carnavais que marcaram vidas, que criaram histórias de amizade, de amores de verão e de sonhos embalados ao som das marchinhas.

Nada supera os carnavais de antigamente. Eram feitos de sonhos, confetes, serpentinas, máscaras e muito brilho — mas, sobretudo, eram feitos de pessoas. Pessoas que, por quatro dias, deixavam as preocupações de lado e se permitiam viver intensamente a alegria. Tempo bom que não volta mais, mas que permanece vivo na lembrança e no coração de quem teve o privilégio de viver aquela época dourada da folia em Independência.

Porque, naquele tempo, as pessoas eram felizes por quatro dias — e, de certa forma, todos os seus sonhos pareciam se realizar.


Prof. Ricardo Assis  

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Escritor independenciano Flávio Paiva promove roda de leitura com crianças em Angola - Prof. Ricardo Assis

Escritor Flávio Paiva na roda de leitura com crianças em Angola


 

O escritor Flávio Paiva, natural do município de Independência, realizou na manhã no sábado, 7, uma emocionante roda de leitura com crianças em Luanda, capital de Angola, reforçando os laços culturais entre o Brasil e a África por meio da literatura infantil. A atividade aconteceu às 10 horas e reuniu crianças em um ambiente acolhedor, marcado pela escuta atenta, interação e troca de saberes. O evento aconteceu na livraria Kiela.

Durante o encontro, Flávio Paiva apresentou suas obras “Brincadeiras de Cantar” e “Que noite, Tórito”, conduzindo a leitura de forma participativa, estimulando a imaginação, a oralidade e o gosto pelos livros. O evento teve momentos de afeto e proximidade entre o autor e as crianças, que acompanharam a leitura com curiosidade e entusiasmo, manuseando os livros e interagindo com o escritor. A iniciativa destaca a importância da literatura como instrumento de formação, identidade e aproximação cultural, além de projetar o nome de Independência no cenário internacional por meio da educação e da arte.

Flávio Paiva é escritor, educador e mediador de leitura, natural do município de Independência, no sertão cearense, terra que marca profundamente sua trajetória pessoal e literária. É a partir das memórias, vivências e manifestações culturais do interior nordestino que constrói uma obra sensível e comprometida com a formação leitora de crianças, valorizando a oralidade, as brincadeiras populares e a diversidade cultural. Reconhecido por seu trabalho com literatura infantil e ações de incentivo à leitura no Brasil e no exterior, Flávio Paiva leva consigo as raízes de Independência, transformando sua origem em fonte de inspiração e identidade em cada projeto que desenvolve.