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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Professor Ricardo Assis destaca projeto “Espalhe Respeito” em entrevista à TV Diário e Verdinha FM

Entrevista ao programa Bom dia, Nordeste com Daniella de Lâvor e Tom Barros 

 

Em entrevista realizada na quarta-feira (18) para o programa Bom Dia, Nordeste, apresentado por Daniella de Lâvor e Tom Barros, o professor Ricardo Assis apresentou o projeto “Espalhe Respeito”, desenvolvido nas escolas Abigail Antunes Marques e Escola Profa. Maria Júlia Fialho. A iniciativa também foi destaque em entrevista concedida à TV Diário e à Verdinha FM, ampliando o alcance da proposta e levando à sociedade um debate essencial sobre educação e cidadania.

Durante a participação, o professor ressaltou que o projeto trabalha quatro temáticas fundamentais para a formação ética e cidadã dos alunos: o autismo, o bullying, o racismo e o respeito ao próximo. Segundo ele, a iniciativa surge como uma resposta à necessidade de promover mais informação, empatia e conscientização dentro do ambiente escolar, fortalecendo valores que contribuem diretamente para o desenvolvimento humano e social dos estudantes.

O “Espalhe Respeito” busca incentivar o diálogo, combater preconceitos e construir uma cultura de paz tanto dentro quanto fora da escola. Para o professor Ricardo Assis, é essencial que os alunos compreendam que o respeito ao próximo não é apenas uma obrigação social, mas um valor indispensável para uma convivência harmoniosa.

A proposta reforça a importância de formar cidadãos mais conscientes, capazes de reconhecer e valorizar as diferenças. Ao abordar temas atuais e sensíveis, o projeto contribui para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária, onde o respeito seja praticado diariamente e as diferenças sejam vistas como riqueza, e não como motivo de exclusão.

 


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval de Independência que o Tempo Não Apagou - Prof. Ricardo Assis

Carnaval no R.E.C - Arquivo Pessoal Geraldo Teles

Houve um tempo em Independência em que o Carnaval era mais que uma festa, era um acontecimento esperado o ano inteiro, vivido intensamente por quatro dias que pareciam eternos na memória e breves na passagem do tempo. Nas décadas de 70, 80 e 90, a cidade sabia, de verdade, o que era um bom Carnaval — daqueles que reuniam turmas de amigos, famílias inteiras, blocos animados, fantasias criativas, rei, rainha, confete, serpentina e uma ingenuidade que hoje mora apenas na saudade.

Os salões do R.E.C., as noites festivas na Churrascaria Santana e a animação no Juazeiro, próximo à Igreja Matriz, eram os grandes palcos da alegria. Ali, a juventude se encontrava, os adultos reviviam seus tempos de folia e as crianças se encantavam com o brilho das máscaras e o colorido das fantasias. Havia também os blocos de rua, que arrastavam multidões ao som de marchinhas e muita animação, enchendo as vias da cidade de música e gargalhadas.

Naquele tempo, participar de um bloco era quase um ritual de pertencimento. Muitos confeccionavam a própria fantasia, improvisando com criatividade e dedicação. Não havia luxo, mas sobrava imaginação. Cada detalhe era feito com carinho, cada adereço carregava a alegria simples de quem queria apenas brincar o Carnaval. Era tudo movido pela amizade, pela união e pela felicidade genuína de estar junto.

Nos clubes, as bandas davam o tom da festa. Black Banda, Os Comanches e tantos outros grupos que embalaram gerações faziam o salão vibrar. As guitarras, os metais e a batida contagiante transformavam as noites em espetáculos de dança e celebração. A memória pode falhar nos nomes, mas jamais esquecerá a emoção daqueles momentos.

Muitos independencianos cresceram pulando Carnaval nas ruas e nos clubes da cidade, construindo laços que atravessaram décadas. Foram carnavais que marcaram vidas, que criaram histórias de amizade, de amores de verão e de sonhos embalados ao som das marchinhas.

Nada supera os carnavais de antigamente. Eram feitos de sonhos, confetes, serpentinas, máscaras e muito brilho — mas, sobretudo, eram feitos de pessoas. Pessoas que, por quatro dias, deixavam as preocupações de lado e se permitiam viver intensamente a alegria. Tempo bom que não volta mais, mas que permanece vivo na lembrança e no coração de quem teve o privilégio de viver aquela época dourada da folia em Independência.

Porque, naquele tempo, as pessoas eram felizes por quatro dias — e, de certa forma, todos os seus sonhos pareciam se realizar.


Prof. Ricardo Assis  

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Escritor independenciano Flávio Paiva promove roda de leitura com crianças em Angola - Prof. Ricardo Assis

Escritor Flávio Paiva na roda de leitura com crianças em Angola


 

O escritor Flávio Paiva, natural do município de Independência, realizou na manhã no sábado, 7, uma emocionante roda de leitura com crianças em Luanda, capital de Angola, reforçando os laços culturais entre o Brasil e a África por meio da literatura infantil. A atividade aconteceu às 10 horas e reuniu crianças em um ambiente acolhedor, marcado pela escuta atenta, interação e troca de saberes. O evento aconteceu na livraria Kiela.

Durante o encontro, Flávio Paiva apresentou suas obras “Brincadeiras de Cantar” e “Que noite, Tórito”, conduzindo a leitura de forma participativa, estimulando a imaginação, a oralidade e o gosto pelos livros. O evento teve momentos de afeto e proximidade entre o autor e as crianças, que acompanharam a leitura com curiosidade e entusiasmo, manuseando os livros e interagindo com o escritor. A iniciativa destaca a importância da literatura como instrumento de formação, identidade e aproximação cultural, além de projetar o nome de Independência no cenário internacional por meio da educação e da arte.

Flávio Paiva é escritor, educador e mediador de leitura, natural do município de Independência, no sertão cearense, terra que marca profundamente sua trajetória pessoal e literária. É a partir das memórias, vivências e manifestações culturais do interior nordestino que constrói uma obra sensível e comprometida com a formação leitora de crianças, valorizando a oralidade, as brincadeiras populares e a diversidade cultural. Reconhecido por seu trabalho com literatura infantil e ações de incentivo à leitura no Brasil e no exterior, Flávio Paiva leva consigo as raízes de Independência, transformando sua origem em fonte de inspiração e identidade em cada projeto que desenvolve.

 










 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Um lugar chamado Manchete - Flávio Paiva (O Povo)

Toinzinho (1921 – 2015) e Socorro plantando o baobá (imbondeiro) da Manchete. Foto: Flávio Paiva (15/11/2013).

Há lugares que não nos pertencem, mesmo que patrimonialmente sejam nossos. O Sítio Pelo Sinal I, em Independência, que meu pai chamou espirituosamente de Manchete, foi construído por ele e pela minha mãe ao longo de muitas décadas, enquanto ele cuidava de animais, e ela de flores. A casa, belamente vazada para a passagem espontânea dos ventos do sertão dos Inhamuns, foi projetada pelo meu irmão, com seu dom e técnica de criar ambientes agradáveis. 

Bem antes de fazer a viagem de volta em 2015, em uma boa morte aos 94 anos, meu pai Toinzinho me disse que estava guardando peças da sua labuta e da vida cotidiana daquele lugar para que um dia a casa viesse a ser um museu. Depois de uma década mantendo tudo funcionando, doando efetivamente metade da fazenda ao Manezinho e ao Lisboa, trabalhadores que o acompanharam por muitos dos seus últimos anos, e vendendo parte da propriedade para a sustentação da minha mãe, Socorro (88 anos), que desde então passou a morar em Fortaleza, estão criadas as condições para a realização dessa vontade. 

Assumi, com a confiança dos meus irmãos Paulo e Cynara, e com as bençãos da nossa mãe, a condução dos dez hectares rurais restantes, que tangenciam a zona urbana, para, no momento propício, dar sequência a esse sonho de presentear Independência com um parque de cultura e preservação ambiental. Como sou movido por ações de infância e cidadania orgânica, a minha contribuição se dará nesses campos de sentido. Essa é a ideia, considerando a intuição, os sentimentos e os impulsos imaginativos de quem brincou e desempenhou tarefas ali quando era apenas um terreno de plantar e de criar afastado da cidade. Do núcleo constituído pelo casal, não há mais ninguém morando em Independência. O que fundamenta essa decisão, além da visão e da história de conquistas do meu pai como referência na criação de ovinos e caprinos, é a existência de um modo de vida que une simplicidade comportamental e grandeza ontológica. Particularmente, sou muito grato à cidade onde nasci por ter sido educado em casa, na escola e nas ruas com tanto amor que, por onde ando, não deixo de dizer que sou de lá. Sem contar que ali também convivi com parte significativa das personagens das minhas literatura e música. 

 O próprio nome Manchete é um ícone semiótico presente nessa relação. Meu pai deu esse nome à fazenda após ouvir de mim que no jornalismo se chama a atenção para uma notícia importante dando-lhe destaque na capa de um jornal ou revista ou na abertura de um programa, de maneira curta, clara e impactante, para que o público se interesse em ler, ver e ouvir o conteúdo completo. À época, ele ainda tinha uma propriedade no Poço Comprido, no limite de Independência com Tauá, onde mantinha todo o rebanho. Como era pequeno o Sítio Pelo Sinal I, onde retinha o plantel de animais-modelo, ele nominou o lugar de Manchete, pois ali se encontravam as ‘chamadas’ que levavam compradores à criação no interior do município. 

A Manchete não seguiu qualquer padrão de agricultura e pecuária, apenas formou-se a partir da sabedoria prática dos nossos pais e de suas relações. 

Procuro manter esses vínculos com quem dá vida ao lugar. O Manezinho e o Lisboa, que hoje são donos das terras vizinhas desmembradas, mantêm a circulação de animais domésticos intra-propriedades, em uma parceria rural por princípio mutualista. Isso me parece ser uma maneira de respeitar e de renovar evidências do que meu pai conceituou de “Sistema”, um modo de inventar o mundo com satisfação.

 Fontes

 https://www.flaviopaiva.com.br/artigos/um-lugar-chamado-manchete/

 https://mais.opovo.com.br/colunistas/flavio-paiva/2026/01/26/um-lugar-chamado-manchete.html

domingo, 25 de janeiro de 2026

Independência se destaca na história do algodão e acompanha novo programa de revitalização no Ceará - Prof. Ricardo Assis

Carrada de algodão do distrito de Jandrangoeira - Independência.

 

O município de Independência teve papel relevante na produção de algodão no Ceará, especialmente durante o século XIX e grande parte do século XX, período em que a cotonicultura foi a principal cadeia produtiva do Estado. Localizada na região dos Inhamuns, a cidade figurou entre os maiores produtores da cultura, abastecendo outros municípios e a capital Fortaleza.

Na zona rural de Independência, diversas fazendas se dedicavam ao cultivo do algodão, que era concentrado na cooperativa instalada na sede do município para beneficiamento e revenda. A produção movimentava a economia local e garantia emprego e renda para muitas famílias. Caminhões carregados saíam regularmente do município com destino a Fortaleza e a outras cidades cearenses. A importância dessa atividade é simbolizada até hoje na bandeira de Independência, que traz um galho de algodão como representação de sua força econômica no passado.

Atualmente, a produção de algodão volta a ganhar destaque com o lançamento de um programa do Governo do Ceará voltado à revitalização da cultura. A iniciativa prevê, inicialmente, a distribuição gratuita de sementes de algodão em 18 municípios, com a meta de alcançar o plantio em aproximadamente 5 mil hectares. A estimativa é de geração de até 15 mil empregos, considerando uma média de dois a três postos de trabalho por hectare.

Segundo o governo estadual, o objetivo do programa é fortalecer a agricultura, estimular a economia rural e resgatar uma atividade historicamente importante para o Ceará. Para municípios como Independência, a proposta representa a possibilidade de retomada de uma cultura que marcou sua trajetória econômica e social, além de abrir novas perspectivas de desenvolvimento e geração de renda no campo.

Prof. Ricardo Assis