
Maria Quitéria - Redes Sociais
Com
cabelo raspado e roupas emprestadas do cunhado, Maria Quitéria se transformou
no soldado Medeiros e se alistou no Exército Brasileiro em 1822. Mesmo após ter
tido a identidade revelada, a baiana permaneceu na tropa e, por dois
séculos, foi a único soldado mulher de que havia registro na história do
Brasil.
Maria
Quitéria nasceu e cresceu em uma comunidade rural em Feira de
Santana, atualmente a segunda maior cidade da Bahia. Com a morte da
mãe ainda na infância, ela passou a exercer papéis que não eram associados às
mulheres do século XIX, como caçar, pescar e manusear armas.
Com
ajuda da irmã, "o soldado Medeiros" - personagem que criou para
burlar o impedimento às mulheres na tropa - se alistou no Regimento de
Artilharia da Vila de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para lutar contra as
tropas portuguesas nas guerras pela independência do Brasil, em 1822.
A
baiana se destacou em três batalhas: em Pirajá, na defesa de Ilha da Maré e na
de Piatã, todas ambientadas em Salvador. Na batalha
de Piatã, Maria Quitéria entrou em uma trincheira, rendeu os soldados
portugueses e os levou, sozinha, para o acampamento.
O
feito a rendeu uma condecoração e o reconhecimento pelo então imperador Dom
Pedro I, que a entregou a insígnia de "Cavaleiro da Ordem Imperial do
Cruzeiro" - uma honraria em reconhecimento ao serviço dos súditos que
contribuíram com a nação e demonstrar o alto grau de estima e consideração do
monarca.
Mesmo
com o reconhecimento dos colegas e com a honraria entregue pelo próprio
imperador, Maria Quitéria não passou a compor a corte, nem ganhou um cargo
importante. Após a morte do pai, ela se casou, teve uma filha e passou a viver
no anonimato em Salvador.
A
morte de Maria Quitéria sustenta o paradoxo apontado pelo tenente coronel: aos
61 anos, ela foi enterrada em uma cova rasa, como indigente, em um
cemitério que era vizinho à Igreja de Santana, na capital baiana.
Em Salvador, a primeira estátua da heroína só foi inaugurada em 1953, mais de 160 anos depois de sua morte. O reconhecimento pelo Exército aconteceu em 1996, quando ela passou a ser Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro (QCO) - a escola que forma oficiais para o Exército, em Salvador, abriu as portas ao serviço militar feminino a partir de 1992 e essas mulheres foram incorporadas aos quartéis no ano seguinte, 1993.
Além
disso, nenhum quartel do país leva o nome de Maria Quitéria - o que é
comum entre seus 'pares' homens. No Rio de
Janeiro, fortes homenageiam Duque de Caxias e General Osório, por
exemplo. Em Salvador, o 19º Batalhão de Caçadores é chamado de Batalhão Pirajá
em homenagem à Batalha de Pirajá, episódio marcante na luta pela Independência.



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