![]() |
| Carnaval no R.E.C - Arquivo Pessoal Geraldo Teles |
Houve
um tempo em Independência em que o Carnaval era mais que uma festa, era um
acontecimento esperado o ano inteiro, vivido intensamente por quatro dias que
pareciam eternos na memória e breves na passagem do tempo. Nas décadas de 70,
80 e 90, a cidade sabia, de verdade, o que era um bom Carnaval — daqueles que
reuniam turmas de amigos, famílias inteiras, blocos animados, fantasias
criativas, rei, rainha, confete, serpentina e uma ingenuidade que hoje mora
apenas na saudade.
Os
salões do R.E.C., as noites festivas na Churrascaria Santana e a animação no
Juazeiro, próximo à Igreja Matriz, eram os grandes palcos da alegria. Ali, a
juventude se encontrava, os adultos reviviam seus tempos de folia e as crianças
se encantavam com o brilho das máscaras e o colorido das fantasias. Havia
também os blocos de rua, que arrastavam multidões ao som de marchinhas e muita
animação, enchendo as vias da cidade de música e gargalhadas.
Naquele
tempo, participar de um bloco era quase um ritual de pertencimento. Muitos
confeccionavam a própria fantasia, improvisando com criatividade e dedicação.
Não havia luxo, mas sobrava imaginação. Cada detalhe era feito com carinho,
cada adereço carregava a alegria simples de quem queria apenas brincar o
Carnaval. Era tudo movido pela amizade, pela união e pela felicidade genuína de
estar junto.
Nos
clubes, as bandas davam o tom da festa. Black Banda, Os Comanches e tantos
outros grupos que embalaram gerações faziam o salão vibrar. As guitarras, os
metais e a batida contagiante transformavam as noites em espetáculos de dança e
celebração. A memória pode falhar nos nomes, mas jamais esquecerá a emoção
daqueles momentos.
Muitos independencianos cresceram pulando Carnaval nas ruas e nos clubes da cidade, construindo laços que atravessaram décadas. Foram carnavais que marcaram vidas, que criaram histórias de amizade, de amores de verão e de sonhos embalados ao som das marchinhas.
Nada
supera os carnavais de antigamente. Eram feitos de sonhos, confetes,
serpentinas, máscaras e muito brilho — mas, sobretudo, eram feitos de pessoas.
Pessoas que, por quatro dias, deixavam as preocupações de lado e se permitiam
viver intensamente a alegria. Tempo bom que não volta mais, mas que permanece
vivo na lembrança e no coração de quem teve o privilégio de viver aquela época
dourada da folia em Independência.
Porque,
naquele tempo, as pessoas eram felizes por quatro dias — e, de certa forma,
todos os seus sonhos pareciam se realizar.
Prof. Ricardo Assis

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)



