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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval de Independência que o Tempo Não Apagou - Prof. Ricardo Assis

Carnaval no R.E.C - Arquivo Pessoal Geraldo Teles

Houve um tempo em Independência em que o Carnaval era mais que uma festa, era um acontecimento esperado o ano inteiro, vivido intensamente por quatro dias que pareciam eternos na memória e breves na passagem do tempo. Nas décadas de 70, 80 e 90, a cidade sabia, de verdade, o que era um bom Carnaval — daqueles que reuniam turmas de amigos, famílias inteiras, blocos animados, fantasias criativas, rei, rainha, confete, serpentina e uma ingenuidade que hoje mora apenas na saudade.

Os salões do R.E.C., as noites festivas na Churrascaria Santana e a animação no Juazeiro, próximo à Igreja Matriz, eram os grandes palcos da alegria. Ali, a juventude se encontrava, os adultos reviviam seus tempos de folia e as crianças se encantavam com o brilho das máscaras e o colorido das fantasias. Havia também os blocos de rua, que arrastavam multidões ao som de marchinhas e muita animação, enchendo as vias da cidade de música e gargalhadas.

Naquele tempo, participar de um bloco era quase um ritual de pertencimento. Muitos confeccionavam a própria fantasia, improvisando com criatividade e dedicação. Não havia luxo, mas sobrava imaginação. Cada detalhe era feito com carinho, cada adereço carregava a alegria simples de quem queria apenas brincar o Carnaval. Era tudo movido pela amizade, pela união e pela felicidade genuína de estar junto.

Nos clubes, as bandas davam o tom da festa. Black Banda, Os Comanches e tantos outros grupos que embalaram gerações faziam o salão vibrar. As guitarras, os metais e a batida contagiante transformavam as noites em espetáculos de dança e celebração. A memória pode falhar nos nomes, mas jamais esquecerá a emoção daqueles momentos.

Muitos independencianos cresceram pulando Carnaval nas ruas e nos clubes da cidade, construindo laços que atravessaram décadas. Foram carnavais que marcaram vidas, que criaram histórias de amizade, de amores de verão e de sonhos embalados ao som das marchinhas.

Nada supera os carnavais de antigamente. Eram feitos de sonhos, confetes, serpentinas, máscaras e muito brilho — mas, sobretudo, eram feitos de pessoas. Pessoas que, por quatro dias, deixavam as preocupações de lado e se permitiam viver intensamente a alegria. Tempo bom que não volta mais, mas que permanece vivo na lembrança e no coração de quem teve o privilégio de viver aquela época dourada da folia em Independência.

Porque, naquele tempo, as pessoas eram felizes por quatro dias — e, de certa forma, todos os seus sonhos pareciam se realizar.


Prof. Ricardo Assis  

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