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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Destruição da memória de Independência em nome do progresso.

Trator destruindo o Corte: Memória Finita.

Independência corre o risco de ter a sua memória perdida se o poder público e a sociedade não abrirem os olhos e tomar uma medida urgente pela preservação de alguns patrimônios históricos. Estamos prestes a perder mais um Patrimônio Histórico em nossa cidade. Independência tem riquezas extraordinárias, em relação à história e memória que está ligada, principalmente a cultura de nosso povo. Mais uma vez, a sociedade e poder publico assisti impotente a ação de algumas pessoas em destruir a memória e o patrimônio cultural, devemos debater questões ao redor do tema da preservação e, principalmente, questionar sobre alguns órgãos que busquem a preservação da memória e do patrimônio.

Desta vez, a destruição é o velho Corte por onde passava os trilhos do trem da antiga RFFSA, onde o conjunto de Casas, Galpões e prédios da RFFSA que integravam a paisagem do dos trilhos pela Vila Militar. Esse símbolo de um tempo de fatura e riqueza para o município irá se transformar em montanhas de tijolos e concreto.

Em nome da construção de uma vila de casa (segundo informaram alguns moradores próximo ao corte) metade do Corte já foi posto abaixo. A sociedade juntamente com o Poder Público deve ter em foco a preservação da memória e patrimônio Histórico tentar barra essa destruição de nossa historia.


Açude Falcão: Aterros, Casas irregulares e lava-jatos.

Nesse sentido, com a destruição do Corte teremos mais um espaço histórico no município que nega a história da própria cidade que apaga definitivamente as marcas do homem sobre o patrimônio historico como se só a partir do novo se constrói o futuro, que esconde o nosso passado histórico e a memória de um tempo que foi fundamental para história de uma sociedade.

Temos assistido isso em vários momentos em nossa cidade: Destruição dos alojamentos e Galpões da RFFSA para construir Pousada e Salão para eventos (local no antigo Batalhão), destruição de Praça infantil e a retiradas dos trilhos, enfim, estamos perdendo nossa memória aos poucos.

Muitos que ficam calados diante destas transformações são, na realidade, aliados ao processo de transformação, mesmo quando fazem um discurso pela preservação da qualidade de vida de todos.


Parque Infantil em 1963 transformado em Garagem(2011).

É o que mostra esta ação no Corte: destrói-se o passado em nome de um progresso.

Devemos pensar em boas práticas que reúna a preservação da história local e o respeito ao passado com o reaproveitamento de algumas antigas estruturas do município e a implantação de novos projetos sem destruir o passado. Esses devem aumentar o orgulho das novas gerações pelo passado e que permita sonhar com inúmeras novas possibilidades para o futuro.

Ainda a tempo de evitar que isso aconteça. Basta querermos.

Devemos e precisamos com um olhar no futuro, mas não pode perder de vista a preservação do acervo histórico e cultural do município.

Devemos mobilizar para questionar e propor políticas públicas mais adequadas para o desenvolvimento da nossa cidade.

HISTÓRICO DA REDE FERROVIÁRIA FEDERAL ENTRE OS MUNICÍPIOS DE CRATEÚS E INDEPENDÊNCIA.

Estação da antiga RFFSA, hoje um local de cultura.

Cuida-se o presente estudo de histórico da estrada de ferro construída pela REDE FERROVIÁRIA FEDERAL SOCIEDADE ANÔNIMA – RFFSA entre os Municípios de Crateús e Independência.

Inicialmente o projeto de implantação/construção do trecho ferro viário, era de Piquet Carneiro/Crateús.

Inicialmente coube ao então Ministério de Viação e Obras Públicas, posteriormente Ministério dos Transportes.

Por força da Portaria nº 336, de 28 de Maio de 1952, foi aprovado o projeto para implantação/construção dos 48kms de Crateús a Independência.

Os estudos do trecho de Independência para Crateús, foram feitos pelo Dr. Francisco Aires Coelho Cintra, no período de outubro e novembro de 1951, enquanto que os estudos de Piquet Carneiro para Independência foram executados pelos Drs. José Corrêa Costa e Francisco Aires Coelho Cintra, tendo início em outubro de 1951 e seu término em junho de 1952.

O trecho projetado de Crateús para Independência e aprovado pela Portaria à epígrafe, foi locada pelo senhor Durval Borges.

Coube, por sua vez, as construtoras Castro & Ferreira e Langer a execução dos serviços, esta com sede em Fortaleza e aquela em Recife, Pernambuco.

O trecho ferroviário (Crateús) – Piquet Carneiro foi delegado ao 1º Grupamento de Engenharia de Construção por convênio entre o antigo Ministério de Viação e Obras Públicas e o antigo Ministério da Guerra, datado de 07 de Junho de 1955.

Contudo, cabe aqui registrar, que a ferrovia Crateús – Piquet Carneiro , tinha uma extensão de 181,00 km.

Homens trabalhando na construção dos prédios e trilhos da RFFSA.

Um fato importante é que não existiu sequer um processo de desapropriação ao longo do trecho e nem tampouco para os terrenos de propriedade da Paróquia de Sant`Ana (sede da esplanada).

Por outro lado, a conclusão do trecho Crateús/Independência, foi executada no final de 1964.

A infra-estrutura teve início no Km 0,00 (Crateús) ao km 50,00 (Independência), com obras de artes especiais.

- Ponte Tourão no Km 2,00 com 52 metros de comprimento (Crateús)

- Pontilhão Dezoito no Km 18 com 10 metros de comprimento (idem)

- Ponte Adão no KM 23,00 com 80,00 metros de comprimento. (idem).

- Ponte Riacho Madeira no Km 27,00 com 10 metros de comprimento. (independência)

- Ponte Cunha no Km 30,00 com 10,00 metros de comprimento. (idem)

A ponte Adão, no KM 23 com 80 metros de comprimento é de encher os olhos, pela sua grandiosidade. Parece-nos que foi construída ontem.

No Km 23,00 (Adão), tinha um posto telegráfico; 2 casas de mestre de linha; 3 casas para trabalhador; casa de força e caixa d’água com capacidade de 35.000 m³.

No Km 50 (esplanada ferroviária de Independência) foram construídos:

Uma Estação de 3º classe

Uma casa para Agente

Uma casa para Mestre de Linha

Quatro casas para trabalhador

Uma casa de Força (energia)

Uma caixa d`água com capacidade para 35.000 litros.

Na esplanada de Independência, foram edificados os seguintes prédios:

Armazém

Depósito (centro pastoral)

Alojamento

Casa de força e luz.

Estação da RFFSA, ponto de encontro entre jovens.

Com efeito, em 26 de Novembro de 1975 o 1º Grupamento de Engenharia de Construção entrega a RFFSA, sistema regional de Recife, faz entrega da obra sem compromisso de qualquer natureza com terceiros, inclusive sem ônus de qualquer espécie.

É importante ressaltar, que os prejuízos dos proprietários do Km 0 (Crateús) ao KM 50 (Independência) foram enormes, visto que os mesmos tiveram suas propriedades rurais utilizadas sem o devido processo legal de desapropriação.

Com efeito, o 4º BEC, fez uma cessão de material metálico (trilhos) da superestrutura de aproximadamente 46 Km do sub-trecho Crateús-Independência para a 2ª Divisão-Cearense, no trecho Crateús-Oititica.

Desse modo, os cortes e aterros executados não foram mais conservados estando a merecer praticamente todo o serviço de recuperação.

Após o termo de entrega sem qualquer ônus de qualquer espécie, começaram a destruição em massa do trecho Crateús/Independência dos dormentes, além da retirada dos trilhos do remanescente de 4 km.

Os cortes e os aterros apresentam muita erosão.

Nas proximidades de Independência há um corte com uma extensão de mais ou menos um KM, com profundidade de cerca de 8 metros na pedra.

Registre-se, por fim, que existe nesta cidade muitos funcionários e pensionistas dos ex-funcionários da REFFSA.

Na época da conclusão do trecho, na estação de Independência, existia o seguinte letreiro:

IV EXÉRCITO

1º GRUPAMENTO DE ENGENHARIA

4º QUARTO BATALHÃO DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO

2ª COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO

INDEPENDÊNCIA


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