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domingo, 31 de julho de 2022

Independência: Caldo de Caridade – Por Cacilda Sales

Caldo de Caridade

 

A região dos Inhamuns, onde se localizam vários municípios do Ceará, inclusive, Independência, sofreu, ao longo de seu desbravamento, verdadeiras catástrofes provocadas pela fome, na época das grandes secas, principalmente a história da seca do 15 e as sucessivas do século XX.

A fome era fantasma mais apavorante, a seca o pior castigo. Os miseráveis percorriam grandes distancias, e figuram n história como “os retirantes”, que eram com certeza, a pobreza exposta.

Os pedintes e retirantes, quando os mantimentos acabavam, criaram o caldo da caridade, que naquela época tinha o mesmo valor social do soro caseiro.

Segundo os adeptos desse milagroso caldo, muitas vidas foram salvas e, segundo, o folclore regional, o caldo “levanta até defunto”

O caldo hoje é usado por todas as famílias sertanejas da região para revigorar as forças, esquentar o frio nas noites de chuva, ou improvisar uma refeição, agregado aos valores nutricionais do ovo, carne e legumes.

CALDO DA CARIDADE

INGREDIENTES

- Água Fervente

- Sal

- Pimenta do reino

- Manteiga da terra

- Porção de farinha de mandioca para engrossar.

Na água fervente acrescenta-se o sal, a pimenta do reino bem pisada e a porção de manteiga, conforme a disponibilidade de cada família, acrescenta aos pouquinhos a farinha e mexer com colher de pau com bastante cuidado para não empolar.

O sódio e a água hidratavam, a pimenta do reino revigorava as forças e a manteiga e a farinha dava a sensação de saciedade, passava a fome.

Como os Sertões de Crateús, os Sertões dos Inhamuns e Sertão Central podem ser considerados o “Epicentro” do Semiárido nordestino, as grandes secas inspiravam grandes romances dramáticos como “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “O Quinze” de Rachel de Queiroz e “Luzia Homem” de Domingos Olimpo.

Os saberes, habilidades, crenças, práticas formam o Patrimônio Cultural Imaterial que são identificadores da História Social Brasileiro.

O Caldo da Caridade é Patrimônio Cultural Imaterial da nossa região, falta registro legal.

Texto escrito por Cacilda Sales

 

 

 

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