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domingo, 10 de agosto de 2025

Primeira turma de História formada em Independência - Prof. Ricardo Assis

Aula de campo Museu do Escravo Liberto - Redenção em 2006 

 

Formada no município de Independência, a nossa turma de História foi um grupo especial, divertido, unido (cada um tinha seu grupinho) e muito estudioso. Durante cinco anos de jornada acadêmica, vivemos intensamente trabalhos, avaliações e seminários. Cada desafio nos aproximava ainda mais do nosso objetivo, aprender e crescer.

A turma foi formada pela IVA – Instituto Vale do Acaraú, vinculado à Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), instituição que foi fundamental para a nossa formação acadêmica. Foi através dela que tivemos acesso a professores dedicados, conteúdos de qualidade e oportunidades de vivenciar experiências que marcaram nossa trajetória na educação.

Hoje, a maioria de nós atua como professor na rede municipal e estadual, levando para a sala de aula o exemplo de dedicação e compromisso que construímos juntos. Somos prova de que, com foco e esforço, é possível transformar conhecimento em educação de qualidade.

Foram tempos bons, que não voltam mais. Uma época em que as dificuldades eram muitas e a tecnologia ainda não era nossa aliada. Pesquisar significava ir até a biblioteca, folhear livros, buscar nas páginas impressas as respostas que hoje se encontram em segundos na internet.

A foto que ilustra essa lembrança foi registrada no dia 21 de julho de 2006, durante uma visita ao Museu Senzala Negro Liberto, em Redenção. Não recordo exatamente a disciplina ou o nome da professora responsável, mas tenho certeza de que aquela aula de campo nos trouxe não só um grande aprendizado acadêmico, mas também uma lição de vida que carrego até hoje na minha trajetória profissional.

Foi mais que uma turma de História, foi uma história de amizade, superação e amor pelo saber.

Prof. Ricardo Assis

domingo, 20 de julho de 2025

Francês Torres um exemplo de liderança e carisma na história política de Independência - Prof. Ricardo Assis

Ex-prefeito Francês Torres, uma das maiores lideranças politica de 
Independência.



 

Em tempos de transformações políticas e de uma juventude cada vez mais interessada no futuro do município de Independência, relembrar nomes como o de Francisco Rodrigues Torres, mais conhecido carinhosamente como Francês Torres, é resgatar uma trajetória marcada por compromisso, humildade e um forte carinho com o povo.

Francês Torres construiu uma das mais sólidas e respeitadas carreiras políticas do municipio de Independência e região de Crateús, sendo reconhecido não apenas por sua atuação na prefeitura, mas pelo carisma e pela maneira humana com que tratava cada cidadão, do mais simples ao mais importante. Ainda hoje, sua residência recebe visitas de amigos e admiradores que compartilham histórias e aprendizados, perpetuando seu legado.

Sua entrada na vida pública teve o importante apoio de outra grande liderança de Independência: Adonias Carneiro Portela, que se tornou seu padrinho político. Sob a orientação e incentivo de Adonias, Francês Torres começou sua trajetória na Câmara Municipal, onde exerceu quatro mandatos consecutivos como vereador:

  • 1971 a 1972, na gestão do prefeito Francisco Expedito Alves;
  • 1973 a 1976, sob a administração da prefeita Guiomar Machado Portela;
  • 1977 a 1982, durante o governo de Valdemar Vieira Coutinho;
  • 1983 a 1988, ao lado do prefeito Adonias Carneiro Portela.

Sua destacada atuação no Legislativo o credenciou à liderança do Executivo municipal, sendo prefeito de Independência em dois períodos:

  • 1989 a 1993
  • 2001 a 2004

 

Ao longo desses mandatos, Francês Torres consolidou uma política de diálogo, acolhimento e simplicidade. Ele sabia ouvir, conversar e, acima de tudo, estar presente, o que o transformou em uma das maiores lideranças políticas da história de Independência.

Seu nome é frequentemente citado como inspiração entre os jovens que desejam ingressar na política, pois seu exemplo é prova de que é possível governar com empatia, responsabilidade e respeito às necessidades do povo.

Hoje, mais do que um nome na galeria dos ex-prefeitos, Francês Torres representa um capítulo vivo da história de Independência, um exemplo de homem público que soube, com firmeza e gentileza, deixar sua marca no coração do povo e na história do município de Independência.

Ex-prefeito Francês Torres não foi apenas um político. Foi, e continua sendo, uma referência. Que os futuros políticos de hoje e de amanhã saibam reconhecer nesse exemplo a essência da verdadeira política, servir ao povo com respeito.

Prof. Ricardo Assis

 


quarta-feira, 16 de julho de 2025

A Fé que resiste ao tempo, festejos de Senhora Sant’Ana em Independência-CE - Prof. Ricardo Assis


 

A imagem acima eterniza um momento emblemático da religiosidade popular de Independência, Ceará. Trata-se de uma procissão dos Festejos de Senhora Sant’Ana, padroeira do município, em registro datado de 1978, quando Dom Fragoso e Padre Mourão conduziam, com fé e devoção, uma multidão em oração. A cena transborda tradição: padres, fiéis, crianças e anciãos unidos em um só espírito — o da fé.

Todos os anos, no dia 16 de julho, a cidade se veste de esperança e religiosidade com o início da festa de Senhora Sant’Ana. As ruas são enfeitadas com bandelolas coloridas, o som dos sinos ecoa da matriz, e o cheiro da comida típica mistura-se com o perfume das flores ofertadas à santa. É um tempo de reencontro entre os filhos da terra, de promessas renovadas e de fé fortalecida pela tradição centenária.

A origem dessa devoção remonta à criação da freguesia local, conforme o Decreto Provincial nº 356, de 15 de setembro de 1853, quando a então povoação passou a se chamar freguesia de Pelo Sinal, desmembrando-se de Príncipe Imperial (atual Crateús). O primeiro pároco foi o Padre Antonio Ricardo Cavalcante de Albuquerque, sucedido após sua morte pelo Padre José de Araújo Galvão, que também deixou seu legado na organização religiosa da comunidade.

Essa história de fé está impregnada em cada detalhe das festividades: desde as novenas, os leilões e os gestos simples de devoção até a grandiosa procissão que, ano após ano, emociona moradores e visitantes. A religiosidade do povo de Independência é marcada por uma espiritualidade autêntica, que resiste ao tempo e mantém viva a chama da esperança.

A imagem de 1978, agora digitalizada e preservada, é mais do que uma fotografia, é um testemunho histórico de um povo que nunca deixou de acreditar. Em cada rosto, um traço de devoção. Em cada passo, a continuidade de uma fé que transcende gerações.

Viva Senhora Sant’Ana!

Prof. Ricardo Assis

 

domingo, 29 de junho de 2025

O encontro entre Frei Vidal da Penha e Cap. José Ferreira de Melo - Prof. Ricardo Assis

Imagem criada por IA

 

Às margens do século XIX, nas estepes sertanejas do Ceará, o frade capuchinho italiano conhecido como Frei Vidal da Penha (cujo verdadeiro nome era Vitale de Frascarolo, ou Frescarello) itinerava pela região nordestina pregando suas fervorosas missões. Oriundo do Convento de Nossa Senhora da Penha, no Recife, Frei Vidal tornou-se célebre por seus sermões inflados de fé e profecias, atraindo multidões por onde passava.

Em uma manhã radiosa, ele teria chegado à Fazenda Pelo Sinal, propriedade do fazendeiro José Ferreira de Melo, fundador do município de Independência. Segundo a tradição oral, Frei Vidal foi recebido na Fazenda Pelo Sinal e, ao fim de sua prédica, recomendou enfaticamente que se construísse uma capela para as orações da população.

O senhor José Ferreira de Melo atendeu ao pedido e as obras teriam sido iniciadas, sendo finalizadas por volta de 1810. Em torno da capela de Nossa Senhora Santana formou-se um pequeno arraial, o qual mais tarde recebeu o nome de “Pelo Sinal” — que só se tornaria distrito em 1836 e depois município chamado Independência. Diz-se que a promessa feita naquele encontro foi cumprida, e que a fé local ali se enraizou.

Um aviso sobre fontes históricas

É importante destacar que não há registros documentais ou primários (escrituras, documentos, atas de fazenda, correspondências da época) que comprovem o encontro entre Frei Vidal da Penha e o Cap. José Ferreira de Melo na fazenda Pelo Sinal. Todo o caso é sustentado por tradição oral, relatos secundários e memórias coletivas.

O suposto encontro entre Frei Vidal da Penha e José Ferreira de Melo, resultando na construção da capela de Nossa Senhora Santana e no surgimento de “Pelo Sinal”, compõe uma narrativa rica e simbólica da identidade local. No entanto, falta documentação histórica contemporânea que o confirme — portanto, permanece no campo da memória coletiva e da tradição popular, valiosa culturalmente, mas não comprovada definitivamente.

Prof. Ricardo Assis

 

domingo, 15 de junho de 2025

Os primeiros moradores de Independência, um retrato do início do século XIX - Prof. Ricardo Assis

Independência no início do século XIX - Desenho feito por Gabriel

Representação artística da Vila Pelo Sinal no século XIX, a cena mostra uma vila pacata com ruas de terra batida, casas simples de alvenaria e taipa, e uma capela católica ao centro, símbolo da fé e do poder colonial. Ao redor da capela, moradores circulam a pé ou em carroça puxada por cavalos, ruas ainda com grandes árvores compondo uma paisagem natural. A imagem em tom sépia transmite a atmofera do fim do século XIX para o incio do século XX, uma vila marcada por simplicidade, religiosidade e o ínicio de uma cidade.

Já no início do século XIX, começam a surgir os primeiros registros da presença de moradores em Independência, município localizado no sertão cearense. Esses pioneiros, vindos de diferentes regiões, formaram os alicerces sociais, econômicos e culturais da cidade que hoje conhecemos.

Entre os primeiros habitantes registrados estavam José Rangel de Araújo, natural de Boa Viagem, e Alexandre Ferreira Bonfim, nascido em Crateús. Também natural de Crateús, o Major Horácio Bezerra de Melo Falcão se destacou entre os moradores da época. Outro nome importante foi o de Raimundo Cassiano de Sousa, cuja origem permanece desconhecida, mas que, ainda assim, figura entre os pioneiros da localidade.

A história de Independência também é marcada pela contribuição de comerciantes e artistas. Um dos mais lembrados é Francisco Rufino, que se estabeleceu na região com sua esposa, Dona Mocinha Lins. Após o falecimento de Francisco, Dona Mocinha se casou com Mestre Vicente Fialho, um talentoso músico e padeiro que havia imigrado de Campo Grande da Serra de Ibiapaba, hoje conhecido como Guaraciaba do Norte. Além de reger a música local, Mestre Vicente também mantinha uma padaria que se tornaria ponto de encontro da comunidade.

Junto com ele veio outro músico, Antônio Campo da Silva, que para garantir o sustento, exercia os ofícios de barbeiro e sapateiro — profissões que mostram a versatilidade e resiliência dos moradores da época.

Outros nomes se destacaram no comércio local, como José Leite, Valdeniro Pimentel, Bento Coutinho de Macedo e seu irmão João de Deus Coutinho, além de José Pires de Sabóia, que acumulava as funções de comerciante e fazendeiro. E para contribuir com a educação dos jovens da comunidade, havia também o velho Professor Clarindo, respeitado mestre de escola.

Esses nomes e histórias compõem os primeiros capítulos da construção social de Independência. Seus esforços e trajetórias pavimentaram o caminho para as gerações futuras, deixando um legado que merece ser lembrado e valorizado.

Prof. Ricardo Assis