Com o aumento do salário mínimo, 80% dos municípios do Ceará não terão condições de pagar o mínimo
para os funcionários em 2016. O valor foi fixado em R$ 880 já para
janeiro desde ano. A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff
no dia 29 de dezembro de 2015.
“Temos uma tendência de queda do PIB de 3%. Então, não se pode
esperar crescimento das receitas municipais. Mesmo com o rendimento de
3% a 4% municipal, isso não cobre a inflação com reajuste real de
11,6%”, ressaltou Ireneu de Carvalho, consultor financeiro da Associação
dos Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece).
O que ele explica é que temos a receita dos municípios cearenses
crescendo 3% a 4%, mas a correção do salário-mínimo foi de 11,5%. Na
prática, o total arrecadado não aumentou como o valor do que será pago e
retirado do caixa.
“Já estamos vindo de anos ruins. Tivemos um 2015 péssimo, mas a
situação vem se agravando desde 2012. E os reajustes de salário são
sempre no nível superior ao crescimento das receitas”.
Para se ter ideia, o crescimento nominal do Fundo de Participação dos
Municípios (FPM) – maneira como a União (governo federal) repassa as
verbas – foi de 5,2% para uma inflação de 10,5%. “Houve uma queda real
de mais de 5%, e de ano em ano vai se acumulando”.
Com esse cenário e todas as fontes de renda ruim, Ireneu acredita que
somente 20% dos municípios teriam condição de honrar os pagamentos.
Tudo isso aliado ao fato de que as prefeituras do Ceará já enxugaram os
gastos, realizando corte de pessoas, concursos e materiais.
“Não vejo uma saída imediata para a crise. Não só o Ceará, os estados
estão numa situação difícil. O próprio governo federal está. Isso pode
amenizar um pouco com CPMF, mas não é uma coisa tranquila para ser
tratada no Congresso. Então a solução é a longo prazo, com investimento
na indústria e os agentes econômicos voltarem a confiar no país”.
Cenário nacional
Não só o Ceará “vai mal das pernas”. O restante dos estados estão
sofrendo com a crise. O presidente da União Brasileira de Municípios
(UBAM), Leonardo Santana, disse que pelo menos 90% das prefeituras de
todo país não terão condições de arcar com a nova despesa. A solução
seria o governo promover a tão esperada reforma do pacto federativo e
aumentar a participação dos municípios na distribuição dos tributos
arrecadados.
Ele destacou que o aumento do salário acontece no início de cada ano,
porém o ano 2016 precede um período de maior crise econômica dos
últimos 30 anos, afetando as finanças das prefeituras, atingindo os
municípios já fragilizados com a falta de atenção do governo.
Ainda considera o aumento justo e necessário. “Entretanto os
municípios não poderão arcar com esses custos sozinhos e o congresso
terá que achar uma saída para que os gestores não sejam, em sua maioria,
condenados por não conseguirem cumprir a Lei de Responsabilidade
Fiscal, a não ser que demitam injustamente, para adequarem receita
corrente líquida aos limites da Lei”.
FONTE: TRIBUNA DO CEARA

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